Município de Santana
Concentrado em Ilha de Santana, Portilho de Mello e seus agregados conviveram com a redução da força de trabalho indígena, já que a mortalidade também foi significativa, por causa das inadequadas condições de trabalho. Por ordem de Mendonça Furtado foi instalado e fundado o povoado de Santana, em homenagem a Santa Ana de quem os europeus e seus descendentes eram de votos.
Em 1946, com a descoberta do manganês em Serra do Navio por Mário Cruz, Santana experimentou um crescimento significativo, em decorrência da instalação da Icomi (Indústria e Comércio de Minérios). Já no final da década de 50, foi construída a Estrada de Ferro do Amapá, com 19 quilômetros lineares, para o transporte do pessoal e escoamento da produção de manganês com destino ao mercado externo.
Dadas as condições geográficas adequadas ao escoamento via fluvial, é escolhido o Canal Norte do Rio Amazonas que propiciava, pela sua profundidade, fácil navegabilidade aos navios de grande calado. Assim é instalado um cais flutuante em frente a Ilha de Santana, gerando empregos, atraindo população e incentivando comércios e indústrias de pequeno porte, estimulando a criação de vilas e ampliando a área urbana do povoado, elevando-o a nível de distrito, em 1981, pela Lei nº 153/81 PMM, sendo seu primeiro agente distrital Francisco Correa Nobre. Em 17 de dezembro de 1987, pela lei nº 7.639, Santana passa a ser mais um município do Estado.
Igarapé do Lago - O distrito de Igarapé do Lago, em Santana,
é considerado um dos mais importantes e constitui um grande reservatório
religioso-cultural. Distante 110 quilômetro de Macapá, e localizado
em parte elevada onde predominam os campos de terra firme, Igarapé
do lago tem uma população superior a 600 indivíduos. A localidade
é banhada por um igarapé, afluente do rio Vila Nova (ou Anauerapucu),
que se alonga por regiões de terras baixas, inteiramente alagadas
durante o inverno, formando extenso lago. Daí sua denominação.
O acesso a Macapá é feito por estrada empiçarrada e por água, alcançando
o Vila Nova, saindo no rio Macapá ou braço norte do Amazonas, aportando
em Santana, a 24 quilômetros da capital.
A vila surgiu após a libertação dos escravos. Antes havia apenas
o Sítio de Dona Joana Barreto, onde trabalhavam vários negros. Com
a assinatura da Lei Áurea,
dona Joana reuniu os negros e comunicou-lhes
que a escravidão não mais existia, razão pela qual eles poderiam
ir para onde quisessem. Os negros não deixaram dona Joana. Pediram
autorização para construir suas casas em frente ao sítio em parte
elevada e continuaram a realizar seus trabalhos nas roças de mandioca,
milhos, café e criação de gado, caça e pesca. Assim surgiu a vila
de Igarapé do Lago. Um punhado de negros libertos que não encontraram
motivos para abandonar uma senhora bondosa de elevado espírito cristão.
O distrito de Igarapé do Lago pertence ao município de Santana e
compreende as vilas de Bois e Pedrinhas, ambas reunindo poucas famílias
que de dedicam à criação de gado, porcos, galinhas, roça de mandioca
e frutas, especialmente laranjas.
A vila possui aproximadamente 60 casas. Predominam as residências
armadas
com madeiras de lei, entre elas as mais recentes. As casas
mais antigas do povoado são constituídas de barro (enchimento) assentadas
nas paredes entre grossos esteios e redes de cipó. A cobertura quase
sempre é de palha, ou cavaco, havendo poucas casas cobertas de telhas
de barro ou fibrotex.
As palhas usadas nas coberturas são de ubuçu, ubim, bacaba, miriti,
etc, com maior utilização das duas primeiras que são retiradas das
palmeiras que lhes emprestam o nome, abundantes na região.
A população compreende elementos representativos de vários grupos
étnicos, predominando o mulato de cabelo encaracolado. A vila tem
aproximadamente 90 anos de existência. Aos escravos juntaram-se
posteriormente o branco, proveniente das regiões das ilhas do Pará,
descendentes de açorianos e portugueses que haviam povoado Mazagão
Velho. Registram-se alguns elementos de grupos indígenas do Oiapoque,
notadamente da tribo Galibi. O elemento negro é praticamente nulo,
desapareceu com a mestiçagem e agrupam-se em outras regiões.
Os moradores dedicam-se a agricultura. Durante o inverno (janeiro
a agosto) chove bastante na região.
Estudo elaborado por Edgar Rodrigues
|
Dados do município |
Características |
|
Nome oficial |
Município de Santana |
|
Lei de criação |
Nº 7.639, de 17 de dezembro de 1987 |
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Limites |
Norte:
Porto Grande |
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Área |
1.578 km2 |
|
População (IBGE 2007) |
92.098 habitantes (recenseada e estimada) |
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Comunidades principais |
Igarapé
da Fortaleza, Igarapé do Lago e Ilha de |
| Clima | Quente úmido |
| Temperatura | Média mínima 23°C e máxima 40°C |
| Grupos Indígenas | Nenhum |
| Atração turística | Passeios
de barco pelas inúmeras ilhas que cercam o município |
| Transporte | Rodoviário, fluvial |
| Aeroporto | Não tem |
| Distância da capital | 12 km |
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